A paisagem veste-se de verde e terra, e despe-se na sabedoria da simplicidade de bem viver. Nos muros e nas casas observa-se a passagem do tempo. As eras, o musgo, o desgaste e as pedras romanas, são marcas que enunciam a experiência e a memória.

Um estúdio sujo de trabalho e limpo de pretensões. A atmosfera idílica e dourada do final de tarde, trazem serenidade. O desenho de luz emoldura o momento em que se ensina e aprende. Das senhoras do linho sente-se o calor do “saber receber” e a humildade na partilha do conhecimento. O entrelace da linha confunde-se com o entrelace das histórias contadas. Sem interrogações, cada uma sente o que faz e partilha com gosto o que também outrora lhe foi ensinado. Com um ouvido curioso, escutam-se os termos que são ditos com a convicção do bater do linho. Naquele momento, é-se inteiro.

E de mulher em mulher, o dom renasce.

Múceres, Tondela, Portugal / 2026.